segunda-feira

Capítulo 7 - No Love, No Glory.

Marcela e João foram os primeiros a sair da sala, indo pro quarto que ela dividia com Verônica, já meio cambaleante, puxando o rapaz pela mão. A própria Verônica e Breno estavam muito bem se agarrando mesmo no sofá sem pouco se importar com o simples detalhe de que haviam mais algumas pessoas por lá. A agarração deles já tava num estágio que me deixava constrangida por Sal estar alí, presenciando toda a ardente situação na qual os dois se encontravam, também constrangido, como Beca e Bruno que ainda continuavam lá.

- Ô, vocês. - Beca disse, pigarreou sem sucesso, então resolveu apelar pro - EI! - Eles olharam um tanto sem fôlego, ela peguntou - Por que é que vocês não vão prum quarto, hein?

- Porque a Marcela já tomou posse do quarto. A não ser que uma de vocês duas disponibilize uma das lindas caminhas pra gente no outro! - Verônica respondeu na lata. Bruno, Breno e Sal riram, eu e Beca nos entreolhamos, ambas fazendo careta de nojo, automaticamente falamos "Claro que não!" ao mesmo tempo. - Então...

- E o quarto do Breno? Não fica a menos de dez metros, o apartamento é aqui vizinho, gente... - Eu sugeri. Beca concordou comigo, e por um milésimo de segundo, vi uma veia saltar na testa de Bruno assim que Breno sorriu safado, já meio alegrinho por causa do vinho em excesso, com sua resposta na ponta da lingua.

- É que eu divido o quarto com o meu irmãozinho... - Ele começou, Beca o interrompeu, sorrindo.

- Sim mas o que é que tem a ver? - Eu podia notar gotinhas de suor se formando na testa de Bruno, nervoso com a desculpa que o gêmeo iria dar, imaginei.

- O que tem a ver, é que, pelo que eu entendi, você e ele que iriam pra lá esta noite, Beca. - Pesou o clima. Dito e feito, Bruno engoliu no seco quando Beca trancou a cara, levantando sua sobrancelha matadora e dando como resposta à teoria de Breno um quieto, porém sonoro:

- Não. Acho que você entendeu errado, Breno. - Levantou do chão onde estava sentada, olhou para Bruno incrédula. - Com licença. - Ele saiu da frente e Beca saiu dalí calmamente em direção à porta, saindo dalí. Bruno deu um tabefe na cabeça do irmão e saiu correndo atrás dela.

- Tenso. - Sal falou, pondo o braço por trás de mim, deixando sua mão recostar no meu ombro.

- Porra Breno... - Veronica o censurou. Ele olhou pra ela e depois pra mim.

- Que foi que eu fiz? Me explica!

- Acho que não precisava ter dito isso, cara. - Sal falou.

- Acho que você tomou vinho demais e já começou a falar bosta, anda. - Verônica foi se levantando do sofá e puxando Breno, arrastando-o pra saida, resmungando. - Vamos lá pro outro apartamento. O que você tá precisando é tomar café forte e um banho bem gelado, de preferência os dois ao mesmo tempo pra ver se morre de uma trombose e para de falar merda... - Ela se voltou pra nós dois: - Tchau, gente. Boa noite, até amanhã. Adorei te conhecer viu, Sal. Apareça mais vezes. - Verônica sorriu, apontando pra mim. - Cuidado com ela, essa menina é um doce.

Senti meu rosto ficando em algum tom de vermelho, pelo sangue se espalhava por todo ele. O moreno abriu um sorriso sincero, olhou pra mim, depois pra ela outra vez.

- Quanto a isso não precisa se preocupar. Acho que ela está em boas mãos. - Verônica assentiu, Breno deu um tchauzinho serelepe e fecharam a porta, deixando eu e Sal sozinhos na sala.

- Isso vai dar confusão. - Eu disse, preocupada com o que Breno havia dito sobre Beca e Bruno.

- Imagino... - Sal falou. - Seus amigos são muito legais. Acho que eu nunca tive isso...

- Agora você não precisa mais ser tão sozinho. - Eu disse, levantando pra pegar as garrafinhas de Ice pelo chão, e sorri.

- Talvez seja melhor dizer que eu não possa... - Sal me corrigiu com a voz rouca que tanto me encantava tão baixo que mal deu pra ouvir, levantando do sofá, pegando os pratos usados que estavam sobre a mesa e levando-os para a pia por trás do balcão. Eu sorri e olhei pra ele.

- Eu tenho medo de acreditar que todas essas coisas que você me fala sejam realmente verdade e eu acabar quebrando a cara depois, sabe...

- Eu não seria idiota o bastante pra falar tudo isso pra você e estar mentindo, qual seria o propósito? Com que cara eu ia olhar pra você depois? Eu não sou esse tipo de cara, minha linda.

- É que eu meio que andei ouvindo umas histórias sobre seus relacionamentos anteriores e... - Ele me interrompeu.

- Eu nunca fui um homem de "relacionamentos anteriores".

- Quer dizer que você simplesmente fica com todas ao mesmo tempo, é isso? As que ligam pro seu celular sempre que a gente tá junto perguntando quando e onde vocês podem se encontrar outra vez, porque a ultima vez havia sido maravilhosa e bla bla bla... Como é isso, Sal?

Sal revirou os olhos, soltando a última leva de pratos à pia.

- Elas não são importantes, elas não são você.

- E por que causa, motivo razão ou circunstância eu tenho que acreditar que não vou acabar como uma delas depois que ficar com você?

- Porque você tem a autoconfiança de uma criança de seis anos num primeiro dia de aula mesmo tendo cacife pra concorrer ao miss universo. Você é interessante, e sabe conversar, e quando eu chego perto de você tem alguma coisa dentro de mim que dispara um alarme qualquer e me faz parar de prestar atenção em qualquer outra que não seja você, e me assusta não saber controlar isso.

Eu baixei a vista, sorrindo burra com a declaração, sem conseguir sustentar o olhar dele, de pé na minha frente.

- Então eu assusto você? - Foi o que eu consegui dizer.

- Nada abaixo disso é suficiente pra descrever você pra mim. Não é algo com o qual eu consiga lutar. Nem que eu queira me opor.

- Vou torcer pra que isso seja verdade. Porque se não for...

Ficamos em silêncio por alguns segundos, e certos barulhos vindos do quarto de Marcela nos deixou, digamos, envergonhados.

- Acho que é melhor eu ir, está meio tarde. - Eu sorri. - Me deixa até lá embaixo?

- É claro.

Saímos de mãos dadas pela porta branca do apartamento, deixando na sala, sozinhos, os gemidos desconfortantes, para que tivessem alguma privacidade.

Rebeca e Bruno discutiam muito efusivamente, ela sentada no alto da escadaria, de cara amarrada, braços cruzados e ele de pé, em frente a ela. Pararam a discussão subitamente quando perceberam eu e Sal nos aproximando.

- Tchau, pessoal. - Sal falou, educado, quando passávamos por ele. Beca tentou forçar um sorriso animado dando tchauzinho com a mão de onde estava, sem falar nada. Bruno foi até Sal e apertou sua mão:

- Tchau, cara. - Pareceu tão simpatico e convincente quanto um ator de novela mexicana, e falou o que me pareceu ser sinceramente - Apareça mais vezes.

A expressão no rosto de Beca era fria e longe. Olhando pro nada o tempo que Bruno passou falando com Sal. Até que nós dois descemos o resto da escadaria:

- Obrigada por vir. - Eu disse, segurando sua mão. Ele sorriu.

- Não. Obrigada por querer que eu viesse.

- Não tem porque agradecer, eu sempre quero você por perto.

- O quão perto você me quer?

- Tô começando a achar que o tempo inteiro. - Respondi, sorrindo com ele. Por um segundo que eu perdi, Sal passara o braço ao redor da minha cintura. E no segundo seguinte, me roubara um beijo.

O chão sob meus pés desapareceu. Meu coração parecia ter trocado de lugar com meu estômago, acelerado, disparando borboletas por todos os outros órgãos do meu corpo. Ao contrário de seu nome, o beijo de Sal era doce. Um gosto que eu nunca havia sentido antes. Uma ameaça protetora, que precisava de uma fortaleza indefesa pra se compor totalmente. Cálido e simples... Era como se a minha boca e a dele tivessem um encaixe perfeito, uma na outra como devia estar previsto em algum lugar, elas deveriam se encontrar. Suas mãos segurando minha cintura, me abraçando, me segurando para que meus joelhos fraquejantes conseguissem se sustentar de pé. A sensação era inenarrável, nem todos os dicionários do mundo, ou frases de calendários, ou pesquisas do google seriam capazes de definir o que eu estava sentindo. Acreditar no amor não era mais tão difícil depois de provar o gosto que tinha.

- Boa noite, minha linda. - Ele sussurrou na minha orelha, segurando meu rosto que não conseguia parar de sorrir olhando pra ele. Beijou minha bochecha. - Tchau.

E saiu me deixando voltar pra dentro do apartamento e ir pro meu quarto com todas as respostas e dúvidas sem pergunta que me surgiram como um vulcão em erupção, mas não precisavam de explicação alguma.

2 comentários:

Ninguém Te Disse disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Messias disse...

nossa, irado.