quinta-feira

Capítulo 6 - Janta é coisa de pobre (Parte 1)

No fim das contas, ou melhor, no início do fim de semana era esta a situação: Eu tinha alguma coisa com Bruno, coisa que idéia do que é eu não faço, mas tenho. Verônica desde terça não dormia em casa, dando asas à toda a sua criatividade sexual com Breno, que por ser de parede colada com o meu lado do quarto eu era obrigada a ouvir todas aquelas loucuras que vinham do quarto dele no apê ao lado. Alice tá que não desgruda o Sal da boca, fala nele e com ele o dia todo, a tarde toda, a noite toda, eles almoçam juntos todo dia e o melhor, ela me chama pra sentar com eles, resumindo minha amiga resolve me torturar psicológicamente de um modo inconsciente à cada minuto do meu dia. Mas eu sei - Eu não posso dizer nada, nem reclamar de nada - escolhi isso sozinha, então nada de me imaginar arremessando bigornas na testa dela, ok. Eu tinha Bruno, afinal. Bem, Marcela resolveu convidar a todos estes (e seu namorado, João, que agora é namorado mesmo) para jantar esta noite de sexta-feira em nossa humilde residência. E nenhuma frase além de "Vai dar merda" sai da minha cabeça neste momento.

Eram seis da tarde. Nós, na verdade, Marcela fazia o jantar enquanto eu só cortava as coisas que ela mandava. Primeiro tomates, depois umas frutas que só gente rica compra porque fica bonito pra enfeitar, depois as batatas e depois:

- Beca, não faz assim, você vai acabar cortando a.. - minha mão. E começou a espirrar sangue pra tudo que é lado.

- *utaquepariucaralhoporraessecaceteinfeliztádoendo!!! TÁ DOENDO! AH! MARCELA ACODE AQUI! - Balbuciei insanamente, pressionando a mão que esguichava tanto sangue que eu me senti numa poça de catchup, Marcela veio correndo com um pano pra estancar o vermelhô banhando a bancada.

- Anda menina, num deve ser porra nenhuma pra fazer um escandalo desse tamanho, dá cá essa mão pra eu ver, deixa de drama Rebeca. - Ela disse enquanto vinha sem ter visto o corte, quando viu, começou - COMO É QUE UMA CRIATURA É BOCÓ A PONTO DE FAZER UM CORTE DESTE TAMANHO NA PRÓPRIA MÃO, ME DIGA!? - Nisso Alice grita de dentro do banheiro.

- O QUE FOI ISSO?! - E Verônica chega correndo.

- Gente, o que é que vocês gritam tan.. tan.. - Ela foi ficando branca enquanto o pano que marcela havia me dado ficava ainda mais vermelho - Isso.. é sangue?

- É!!! - Gritamos as duas, desesperadas. E eis que a lesada desaba no chão. - VERÔNICA!

- QUE BARULHO FOI ESSE?! AAAAAAAAAAAAAH! SOCORRO! - A outra grita transtornada lá de dentro, e Marcela tentava estancar o sangue e não queimar o jantar, obtendo sucesso somente no segundo item.

- Caaaaaacete. Isso tá doendo!!! ALICEEE!!! CADÊ VOCÊ!? - Eu gritei, já naquela base do desespero.

- TÔ PRESA NO BANHEIRO, A FECHADURA EMPERROU! TA TIPO TRANCADA POR FORA, E EU ESQUECI DE TRAZER A TOAAAALHA!

E em unissono, todas nós - quer dizer, todas que não estavam desacordadas começamos a berrar loucamente:

- SOCORRO! SOOOOOOOOOOOOCOOOOOOOORROOOO!!!

Me vem abrindo a porta desesperados Breno e Bruno (estando o primeiro vestindo apenas uma toalha amarrada na cintura), e se deparam com aquela cena bocó!

- QUE PORRA É ESSA?! - Gritaram os dois juntos. Eu e Marcela, automaticamente olhamos uma pra outra e começamos a rir loucamente, e minha mão continuava a sangrar.

Breno tentou levantar Verônica e Bruno olhava assustado pra minha mão sangrando enquanto Alice chutava a porta incessantemente e Marcela mexia nas panelas um pouco rápido demais explicando todo o acontecido.

- A coisa burra número um se trancou no banheiro sem levar a toalha e não consegue sair, a número dois quase decepa a mão aqui e precisa de um hospital levar pontos nesse caralho desse corte senão vai morrer por falta de sangue que ela já não tinha muito, e a tapada número três caiu feito uma manga podre quando viu o sangue!

- Eu levo a Beca pro hospital. Breno, acorda a Verônica e depois arromba a porta da Alice, e Marcela, o jantar ainda tá de pé? - Bruno disse.

- Claro que tá! - Ela confirmou, ainda rindo, sem tirar a atenção das panelas. Eu pensei que tava desmaiando pelo tanto de sangue que eu perdi, então fechei os olhos pra esperar o baque só que ele não chegou, e quando eu abri os olhos estava nos braços de Bruno, já descendo a escadaria à caminho do carro do avô dele, eu acho. Ele me pôs no banco do carona, e saiu cantando pneu, eu tava meio tonta mas ainda consegui falar:

- Vou sujar o carro.

- Não liga. Fica quieta.

- Mas não vão brigar com você se eu sujar tudo de sangue?

- Não vão. Fica quieta... - Ele olhou pra minha mão ainda meio assustado. - Isso não para de sangrar nunca?!

Chegando num hospital de rico que nunca na vida eu poderia pagar, ele me colocou nos braços outra vez e me carregou até o plantão onde costuraram minha mão de um lado a outro, além de uma injeção e uma porrada de remédio anti-inflamatório pra levar pra casa, suficientes pra eu me dopar por duas semanas. Passamos hora e meia por lá, com a mão enfaixada, dessa vez voltei andando pro carro, com Bruno segurando a outra mão.

- Posso perguntar uma coisa? - Eu perguntei, levantando a sobrancelha.

- Outra? - Eu dei um murrinho no ombro dele com a outra mão. - Pode, pode sim.

- Eu cortei a mão, não o pé. Por que você ficou me carregando nos braços o tempo todo? - Ele bagunçou o cabelo e sorriu fazendo bico, envergonhado.

- Sei lá. Achei romantico. - Eu baixei a sobrancelha sorrindo e olhando pra ele. - Quero só ver o que vai ser desse jantar...

5 comentários:

Marcus disse...

História que vicia, sempre leio.
Super bem escrita, adoro.

Ninguém Te Disse disse...

Música: Toxic (Cover Britney Spears) - VersaEmerge

Eduardo Muniz disse...

Droga, agora vou ter que ler todos os capítulos, muito boa, e fiquei com a opção, team bruno! rs

Messias disse...

nossa, cada vez melhor!

Ju disse...

bruno seu lindo, te amo!